A interação que rege os relacionamentos se revela como a verdade sobre a vida.
Configura o que mais se aproxima da alma, pois nos impele a tirar a máscara em algum instante, qualquer que seja.
Mesmo que levem anos a fio, obriga cada um dos envolvidos a despir-se por inteiro.
É a emoção que governa e dita regras, e ai daquele que decidir não se render a ela.
A gente sofre, chora, goza, faz graça, se desespera, sobrevive e depois se transforma.
E, quando alcança o amadurecimento necessário para internalizar o aprendizado, encontra o maior tesouro: a plenitude.
Percebe-se que tudo faz parte de um plano concebido pelo universo que, na sua própria bagunça, faz brotar no indivíduo a sensação de chegar ao lugar certo.
O destino jamais foi divulgado, mas de alguma forma, todas as forças e todos os ventos conduziram a caminhada milimetricamente acertada.
Nada ficou eternamente para trás, embora a transitoriedade seja a força que governa os tempos de idas e vindas.
Não há pressa nem demora e felizes são aqueles que descobrem o compasso ainda no meio do trajeto.
Aqueles que não precisam chegar ao final de tudo para saber que o tempo da vida tem sua própria vontade.
O mais belo nesse processo é que, incondicionalmente, sempre existem trocas.
E o amor sela os pactos por ser a melhor expressão do crescimento conjunto na esfera material.
Para todos aqueles que acham impossível entender a alma feminina, segue um desafio: um ano para conhecer uma mulher! Serão postados pensamentos, descrições de personalidades, crônicas, poesias, análises e analogias sobre o que fomos, o presente e o que queremos ser. Espero com isso, pelo olhar do meu anonimato, esclarecer inclusive para mim mesma, os segredos da mente e da alma feminina.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Aos Moços (por Cora Coralina)
Eu sou aquela mulher
A quem o tempo
Muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
Creio numa força imanente
Que vai ligando a família humana
Numa corrente luminosa
De fraternidade humana.
Creio na superação do presente.
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,
Generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência
E na descoberta de uma profilaxia
Futura dos erros e violências
Do presente.
Aprendi que mais vale lutar
Do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.
A quem o tempo
Muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
Creio numa força imanente
Que vai ligando a família humana
Numa corrente luminosa
De fraternidade humana.
Creio na superação do presente.
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,
Generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência
E na descoberta de uma profilaxia
Futura dos erros e violências
Do presente.
Aprendi que mais vale lutar
Do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.
Sobre a Vida (por Andréa Naritza)
O que diria a maioria das pessoas se fosse questionada sobre o que é a vida?
E se fossem questionadas acerca de suas próprias experiências, quais seriam as mais prováveis revelações?
Será que a tendência seria o reflexo imediato de endeusar pai, mãe, seus heróis das antigas...
Quem sabe lustrar suas virtudes auto-concebidas, ou até referenciar que o amanhã é lindo e belo pelo fato de um poeta já ter dito que o sol vai voltar a brilhar?
Muito romântico não é mesmo?
Mas quem de fato ousaria ser rebelde com causa e escancarar suas lutas internas, os desejos considerados mundanos, os segredos pretéritos ou até mesmo sobre o verdadeiro sentimento que pulsa na marginalidade da nossa sombra?
A parte escondida, relegada, desconectada, o passado que condena...
Talvez a tendência de expressar as mesmas falas, de destacar as supostas virtudes e ignorar o que é difícil de encarar, ocorra devido ao medo de ser autêntico, ao preço que se paga por ser diferente.
O medo de revelar-se faz do indivíduo um referencial do grupo, transforma o ser em mais um, marginalizando sua própria essência.
Por outro lado, se todos se revelassem segundo a sua natureza, creio eu, seria mais fácil perceber que somos avessos à mesmice do mundo porque somos nós que fazemos da vida um lugar comum.
E se fossem questionadas acerca de suas próprias experiências, quais seriam as mais prováveis revelações?
Será que a tendência seria o reflexo imediato de endeusar pai, mãe, seus heróis das antigas...
Quem sabe lustrar suas virtudes auto-concebidas, ou até referenciar que o amanhã é lindo e belo pelo fato de um poeta já ter dito que o sol vai voltar a brilhar?
Muito romântico não é mesmo?
Mas quem de fato ousaria ser rebelde com causa e escancarar suas lutas internas, os desejos considerados mundanos, os segredos pretéritos ou até mesmo sobre o verdadeiro sentimento que pulsa na marginalidade da nossa sombra?
A parte escondida, relegada, desconectada, o passado que condena...
Talvez a tendência de expressar as mesmas falas, de destacar as supostas virtudes e ignorar o que é difícil de encarar, ocorra devido ao medo de ser autêntico, ao preço que se paga por ser diferente.
O medo de revelar-se faz do indivíduo um referencial do grupo, transforma o ser em mais um, marginalizando sua própria essência.
Por outro lado, se todos se revelassem segundo a sua natureza, creio eu, seria mais fácil perceber que somos avessos à mesmice do mundo porque somos nós que fazemos da vida um lugar comum.
Cecília Meireles - Pensamentos
“Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira.”
“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”
“Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre.”
“PERGUNTO-TE ONDE SE ACHA A MINHA VIDA
Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada de uma verdade minha bem possuída
Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.
E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida por esperanças hereditárias?
E de cada pergunta minha vai nascendo a sombra imensa que envolve a posição dos olhos de quem pensa.
Já não sei mais a diferença de ti, de mim, da coisa perguntada, do silêncio da coisa irrespondida.”
“NEM TUDO É FÁCIL
É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida... Mas, com certeza, nada é impossível.
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos todos esses
desejos, realidade!!!”
“Morro do que há no mundo: do que vi, do que ouvi.
Morro do que vivi.
Morro comigo, apenas: com lembranças amadas, porém desesperadas.
Morro cheia de assombro por não sentir em mim nem princípio nem fim.
Morro: e a circunferência fica, em redor, fechada.
Dentro sou tudo e nada.”
“Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.”
“Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
"O AMOR...
É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois, e nunca desistir da busca de ser feliz, é para poucos!!"
“Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda.”
“Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre.”
“PERGUNTO-TE ONDE SE ACHA A MINHA VIDA
Pergunto-te onde se acha a minha vida.
Em que dia fui eu. Que hora existiu formada de uma verdade minha bem possuída
Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.
E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida por esperanças hereditárias?
E de cada pergunta minha vai nascendo a sombra imensa que envolve a posição dos olhos de quem pensa.
Já não sei mais a diferença de ti, de mim, da coisa perguntada, do silêncio da coisa irrespondida.”
“NEM TUDO É FÁCIL
É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada.
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
Se você sente algo, diga...
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?
Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
Nem tudo é fácil na vida... Mas, com certeza, nada é impossível.
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos, mas também tornemos todos esses
desejos, realidade!!!”
“Morro do que há no mundo: do que vi, do que ouvi.
Morro do que vivi.
Morro comigo, apenas: com lembranças amadas, porém desesperadas.
Morro cheia de assombro por não sentir em mim nem princípio nem fim.
Morro: e a circunferência fica, em redor, fechada.
Dentro sou tudo e nada.”
“Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.”
“Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
"O AMOR...
É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois, e nunca desistir da busca de ser feliz, é para poucos!!"
sábado, 8 de janeiro de 2011
Rubem Alves - Pensamentos
“Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”
"A alma é uma borboleta...
há um instante em que uma voz nos diz
que chegou o momento de uma grande metamorfose..."
“Ao final de nossas longas andanças, chegamos finalmente ao lugar.
E o vemos então pela primeira vez.
Para isso caminhamos a vida inteira: para chegar ao lugar de onde partimos.
E, quando chegamos, é surpresa.
É como se nunca o tivéssemos visto.
Agora, ao final de nossas andanças, nossos olhos são outros, olhos de velhice, de saudade.”
“Compreendi, então, que a vida não é uma sonata que, para realizar a sua beleza, tem de ser tocada até o fim.
Dei-me conta, ao contrário, de que a vida é um álbum de mini-sonatas.
Cada momento de beleza vivido e amado por efêmero que seja, é uma experiência completa que está destinada à eternidade.
Um único momento de beleza e amor justifica a vida inteira.”
“O segredo do amor é a androgenia: somos todos, homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da gente. Ouvir em silêncio. Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida. Alfange que decapita. Há pessoas muito velhas cujos ouvidos ainda são virginais: nunca foram penetrados. E é preciso saber falar. Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir. E, sobretudo, os que se dedicam à difícil arte de adivinhar: adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.”
“Tanto os meus fracassos quanto as minhas vitórias duraram pouco.
Não há nenhuma vitória profissional ou amorosa que garanta que a vida finalmente se arranjou e nenhuma derrota que seja a condenação final.
As vitórias se desfazem como castelos atingidos pelas ondas, e as derrotas se transformam em momentos que prenunciam um começo novo. Enquanto a morte não nos tocar, pois só ela é definitiva, a sabedoria nos diz que vivemos sempre à mercê do imprevisível dos acidentes.
Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá.”
“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.”
Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo.
Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”
"A alma é uma borboleta...
há um instante em que uma voz nos diz
que chegou o momento de uma grande metamorfose..."
“Ao final de nossas longas andanças, chegamos finalmente ao lugar.
E o vemos então pela primeira vez.
Para isso caminhamos a vida inteira: para chegar ao lugar de onde partimos.
E, quando chegamos, é surpresa.
É como se nunca o tivéssemos visto.
Agora, ao final de nossas andanças, nossos olhos são outros, olhos de velhice, de saudade.”
“Compreendi, então, que a vida não é uma sonata que, para realizar a sua beleza, tem de ser tocada até o fim.
Dei-me conta, ao contrário, de que a vida é um álbum de mini-sonatas.
Cada momento de beleza vivido e amado por efêmero que seja, é uma experiência completa que está destinada à eternidade.
Um único momento de beleza e amor justifica a vida inteira.”
“O segredo do amor é a androgenia: somos todos, homens e mulheres, masculinos e femininos ao mesmo tempo. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre dentro da gente. Ouvir em silêncio. Sem expulsá-lo por meio de argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta rápida. Alfange que decapita. Há pessoas muito velhas cujos ouvidos ainda são virginais: nunca foram penetrados. E é preciso saber falar. Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem fazer silêncio e ouvir. E, sobretudo, os que se dedicam à difícil arte de adivinhar: adivinhar os mundos adormecidos que habitam os vazios do outro.”
“Tanto os meus fracassos quanto as minhas vitórias duraram pouco.
Não há nenhuma vitória profissional ou amorosa que garanta que a vida finalmente se arranjou e nenhuma derrota que seja a condenação final.
As vitórias se desfazem como castelos atingidos pelas ondas, e as derrotas se transformam em momentos que prenunciam um começo novo. Enquanto a morte não nos tocar, pois só ela é definitiva, a sabedoria nos diz que vivemos sempre à mercê do imprevisível dos acidentes.
Se é bom ou se é mau, só o futuro dirá.”
“A saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar.”
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011
Tema de destaque 22 - Profissão Comentarista
Atualmente, existe especialista para tudo neste mundo. Hoje, além de nos dizermos como pessoa, quando descrevemos quem somos fazemos o detalhamento da nossa formação acadêmica ou referência à profissão. Uma especialidade para dizer quem somos e uma sub-especialidade parar fazer o diferencial. Com essa multiplicação de facetas da rotulagem, surgem juntamente as novas funções. Entre elas, a função comentarista. Tem comentarista para todas as coisas: esportes, moda, etiqueta, política, economia, sexo, meio ambiente. É uma lista infindável que cresce na mesma velocidade com que surgem os novos assuntos e modismos na mídia.
Contudo, há um comentarista negligenciado e que não consta nessa lista. É o cronista. Por que essa associação? Muito simples de responder. O cronista é aquela pessoa que comenta a vida como ela é. Não é especialista em nada, além da sua forma peculiar de olhar a vida e traduzi-la em palavras. Mas sabe de tudo um pouco e não tem reservas em mostrar o que pensa. Sua profissão se assemelha às práticas dos antigos filósofos.
Porém, uma diferença sutil e certeira distingue um do outro. O cronista fala para todos e não apenas para o público seleto dos teóricos eruditos e super esclarecidos. Além disso, não busca deixar um legado ideológico que seja capaz de descrever todas as pessoas em uma única teoria universal. Ele sabe que os termos enquadramento e pessoas não são compatíveis. Sua maior facilidade é comentar os fatos, quer se refiram aos anseios alheios quer estejam relacionados à sua própria individualidade.
Fica criada a profissão comentarista da vida. As regras básicas de seu exercício envolvem um toque de humor aqui, uma pitada de ironia ali... Um texto dramático, outro leve e cristalino. E assim, são compartilhadas reflexões expressadas por uma linguagem simples e ao mesmo tempo profunda sobre variados temas da realidade humana.
Deixam sua marca registrada: um quê de intimidade e acabam por completo com o tom professoral de quem acredita ser capaz de ter receitas prontas e eficazes para todos os males. Amenizam a sensação de tristeza que às vezes sentimos por vivenciarmos experiências ruins; a sensação de ter falhado de forma recorrente em algo que já não é novidade e que deveríamos superar; a sensação de nos sentirmos inferiores e falíveis quando olhamos ao redor e aparentemente enxergamos todos os outros bem encaixados, no seu devido lugar, menos nós.
Deverão estar aptos a conquistar a atenção do leitor pelo fato de instigarem sua auto-reflexão de maneira amena, sem rodeios, aguçando a sensibilidade dos sentidos. Em alguns casos conseguem despertar a verdadeira vontade de mudar e de perseguir sonhos. Em outros, se justificam apenas por despertarem a percepção de que a linguagem usada pelo mundo para escrever suas histórias pode ser decifrada, apreendida e internalizada.
Tudo que faz parte do cotidiano é material de pesquisa e inspira uma contextualização filosófica a respeito da vivência diária de cada ser. Basta olhar uma cena corriqueira na mesa do lado, assistir ao noticiário de um fato sem muita importância ou apenas acordar com a sensação de precisa dizer algo.
Vida, morte, maternidade, sexo, casamento, relacionamentos, preconceito e muitos outros, são temas recorrentemente explorados. O interessante é que cada novo texto imprime um olhar diferente, outro ponto de vista recheado das impressões de outra mente, que resulta de uma história em particular. A mágica desses profissionais é mostrar a seus leitores que eles não estão sozinhos numa multidão de perfeitinhos. Que não são os únicos a desmoronarem ou ficarem emocionados “apenas” porque se sentiram traídos, abandonados, rejeitados, felizes, realizados...
O cronista, ao contrário dos humanistas pragmáticos, não está atrás de respostas que sirvam para todos. Essa tentativa é uma falácia. Confesso que eu mesma já pensei que seria possível identificar algum tipo de lei universal que influenciasse a todos, concomitantemente. E que o resultado das nossas respostas aos estímulos recebidos deveriam ter uma origem similar. Pensei em ser minha própria cobaia, tal como tantas figuras usaram suas próprias impressões para descrever os efeitos psicotrópicos de entorpecentes ou caracterizar tipos psicológicos. Como estava enganada! Bastaram mais alguns anos de pouca experiência e percebi que, em se tratando de pessoas, nada é exatamente igual nem totalmente convergente. O padrão vigente é a individualidade.
É claro que alguns fatos imprimem sentimentos parecidos e que há traços de similaridades a até certo ponto. Por outro lado, a combinação das experiências, marcas e cicatrizes que cada um traz em si são como uma impressão digital. Embora existam os clichês todo fim tem um começo ou nada dura para sempre, sabemos que nenhum desfecho é igual e que as razões para se começar uma nova empreitada são as mais diversas possíveis. Cada qual tem seu gosto, sua essência, suas tendências que tornam sua alma única e insubstituível. Por isso, há tantos estilos e linguagens em voga para se falar uma mesma língua, para se contar um mesmo fato ou simplesmente para se dizer sinto muito.
Acredito que um dos segredos daqueles que têm intimidade com as palavras e impressões sobre a realidade, é a habilidade em enxergar os outros como eles são e saber explicar a essência daqueles com quem desfrutam de um convívio mais próximo. Detêm a vontade exagerada de sentir o outro e de se emocionar com a vida para depois dar suas próprias impressões dos fatos. Um cronista gosta de ver os acontecimentos com seus próprios olhos e descreve os eventos com sua sensibilidade exacerbada acerca da arte de sentir. Emerge do seu peito uma curiosidade faminta de descobrir o que está escrito nas entrelinhas. Raramente se abstém de proferir sua opinião, e quando fica em silêncio, sabe que no fundo, é a melhor coisa a fazer.
Então experimente um exercício simples, mas revelador. Olhe ao redor e tente visualizar uma cena que lhe impute algum tipo de sentimento. Exercite a criatividade e imagine os fatos e as implicações implícitas de todo o contexto. Tende descrever sua percepção e, se chegar a esse ponto da brincadeira, irá perceber que a cada linha escrita estarão incrustadas suas vivências pessoais. Em tudo que fazemos acabamos deixando uma pista do que somos. Um rastro do nosso passado e as expectativas que temos sobre o futuro.
Ao refletirmos sobre um episódio pessoal estamos exercitando a nossa capacidade de refletir e comentar sobre a vida. Não importa se a linguagem que usaremos é rebuscada ou simplória; por metáforas ou no discurso direto. Tudo é relativo, principalmente o tom do desfecho. O único alerta que faço é que, cada vez menos, as pessoas se sentem à vontade para encarar a realidade. Isso sim é a condição essencial para qualquer um que queira se atrever a interagir com o mundo. As recorrentes tentativas de fuga são também entorpecentes da alma que, com o tempo, minam todo o nosso potencial de ver, sentir, se emocionar e se fazer mais vivo.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Perto da família e do coração (por Andréa Naritza)
Estou de férias, perto da minha família e na minha cidade natal. Sempre que venho aqui, faço um pequeno ritual: visitar meus avós, olhar fotos, matar a saudade de sabores que só encontro aqui. Depois de um tempo, mesmo refazendo o ritual de sempre, observei que a minha percepção sobre as coisas e as pessoas foi modificando. Não foi apenas o meu amadurecimento que afetou as pespectivas, mas os fatos também mudaram.
É incrível como os hábitos acabam se tornando tradição quando repetidos sucessivamente. Mas quando a realidade muda e não podemos mais perpetuar o que se fez desde sempre, como devemos agir? Antes, existia uma regra, mesmo que tácita, que nos dava um rumo. E quando as circunstâncias mudam a ponto de nos obrigar a traçar as novas regras, como devemos fazer?
Há seis meses, perdi meu avô materno e sinto que os últimos dias também se aproximam para a minha avó. Restará apenas a minha avó paterna, já que o meu avô paterno já faleceu há muito tempo. E esse é o ponto. Percebo agora a importância dessas figuras para a perpetuação do ato de agregar a família. Desde que me entendo por gente, fazíamos a mesma trajetória para visitá-los no Natal e no Ano Novo. Vejo que, com a partida deles, a congregação familiar já não é a mesma.
Não estou aqui lamentando a partida de pessoas idosas que já cumpriram com a sua missão neste mundo. Só ressalto que a família à moda antiga conferia um pouco mais de união. Pode ser que a nostalgia tenha me invadido agora, mas sinto falta daqueles encontros calorosos e barulhentos, com todo mundo junto, na ceia ou apenas confraternizando os últimos momentos do ano. Visitar os avós era o que todo mundo pensava que seria o propósito do encontro. Contudo, imagino que todos nós sabíamos que aquela energia contagiante da família reunida era o que emocionava de fato.
Então, tenho a missão de continuar a cultivar esses encontros, mesmo que não sejam como antigamente. Afinal, tudo tem seu tempo. O que importa é a satisfação de rever as caras conhecidas e desejar feliz natal e feliz ano novo do fundo do coração, desejando verdadeiramente que essas pessoas possam desfrutar de momentos melhores. Não apenas por serem nossos familiares, mas principalmente por serem pessoas como nós que sempre buscam algo positivo da vida.
E que não seja preciso exercitar o afago apenas aos familiares. No percorrer do caminho surgem pessoas tão especiais que nos encantam e alegram os nossos dias, independentemente dos laços de sangue. Somos a família universal, sem divisão de guetos. Somos aqueles capazes de transformar o mundo por meio de pequenos atos de gentileza e união.
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