"Renda-se, como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

(Clarice Lispector)

O Beijo

O Beijo
Gustav Klimt (1907)
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Tema de destaque 11 - Ser Alguém

Recentemente, assisti ao filme Território Restrito, que apresenta diferentes realidades de pessoas que têm a idéia fixa de desfrutar de uma vida melhor nos EUA, mesmo que se submetendo a situações insanas para conseguir o bendito Green Card. Deixam tudo para trás e fazem todos os sacrifícios possíveis e impossíveis, movidos por um pensamento irredutível de lutar por um sonho, pelo direito a uma vida melhor. Conheço uma família que vivenciou essa trajetória por motivos similares. Tinham vontade de fugir da violência urbana, da sensação constante de sonhos frustrados, da decepção com os governantes do país...
Imediatamente, veio à tona em mim a necessidade de me questionar a respeito disso, desarmada e desprovida de meus próprios preconceitos. Será que é isso mesmo? Essas pessoas só podem ser “alguém” e terem direito a um futuro digno com esse título verde na mão e especificamente nesse espaço físico, milimetricamente disputado? Por que as leis que regem a vida seriam tão injustas ou sem noção a ponto de povoarem o mundo com bilhões de seres humanos, os quais estão constantemente à procura da felicidade, sendo que o objeto almejado apenas poderia ser contemplado por uma minoria privilegiada que estivesse ocupando um lugar físico específico? Por que temos a tendência de atribuir a fatores externos a autonomia sobre o nosso estado íntimo de auto-realização e de felicidade?
O primeiro lampejo de resposta ao meu questionamento próprio faz referência a dois aspectos, que se desdobraram em outros dois questionamentos: o que significa ser alguém na vida e quais são os requisitos para ser feliz. Sei que essas perguntas nos remetem a sentidos altamente subjetivos, relativos e pessoais. Mas talvez, a minha forma de compreender essas questões apresente similaridades e até mesmo aspectos que permeiam as aspirações de qualquer pessoa. Então vamos lá, vamos ver o bicho que sai da minha cachola... Interligar os pontos, fazer analogias e associações.
Pensando no princípio de tudo, é possível afirmar que já somos alguém antes mesmo da concretização do nascimento. O ato de concepção em si, já garante ao ser humano, direitos assegurados em lei, mesmo para aqueles pequeninos embriões indesejáveis, não sonhados, supostamente acidentais. Todos têm o direito à vida, é o que se prega. Seguindo essa lógica, acrescento que a lista dos tais direitos, já somados a deveres, após tornar-se alguém no mundo exterior, fora do ventre, apenas cresce.
Em princípio, essa forma legalista de visualizar todos como iguais retrata o melhor dos mundos, inclusive para os ocupantes do terceiro nível, os supostos países em desenvolvimento. Transmite a todos a sensação fugaz de que existe um este superior que disciplina a convivência entre os iguais. Entretanto, a chamada vida real tem suas próprias leis e códigos de ética, os quais apresentam lógicas contraditórias aos padrões ideais. Assim, a universalização da “igualdade” fica atrelada a sonhos e condições individuais. Contudo, a vontade é de todos, ou pelo menos da grande maioria.
O tempo passa e, com ele, cada pessoa escreve sua história que resulta tanto de escolhas próprias, quanto de imposições circunstancias, às vezes oriundas das escolhas de outros, que naturalmente já foram afetados por outros, que interagem com outros e mais outros... Forma-se a teia da vida. Um emaranhado de redes que interliga seres de diferentes identidades, posições sociais, valores, princípios, bem como de condições físicas, psicológicas e materiais que diferem umas das outras desproporcionalmente.
Os resultados dessas interações, somados aos embates diários inerentes ao ser social, que vive em comunidade, provoca impactos e sentimentos de efeitos desmedidos e incalculáveis. Soma-se a isso tudo, o lado de dentro; configurado pela mente e pelas emoções. O cerne da pura subjetividade. A origem de todas as causas e efeitos. A segregação entre consciente e inconsciente. A partir daí, o significado de ser alguém ganha a amplitude que extrapola o legalismo e as condições ideais de sobrevivência. Reflete a aspiração de cada indivíduo a partir das acepções de seu mundo e da sua capacidade de abstração, autoconhecimento e de conscientização. Tem também o fator “sorte”. Não sei se essa é a palavra mais adequada para representar este significado. Refiro-me às chances que a vida nos presenteia. Estar no lugar certo, na hora certa, com a pessoa certa. Mesmo que as oportunidades precisem ser bem aproveitadas para gerar frutos, na maioria das vezes, esse empurrãozinho faz toda a diferença.
Portanto, considerando a parte prática da coisa, sentir-se alguém na vida está intrinsecamente ligado ao fator felicidade. Todo mundo carece de se descobrir como pessoa, de produzir algo, de deixar uma marca no mundo. Precisamos saber o que fazer com nossos talentos, aprender a multiplicá-los, a compartilhá-los e crescermos juntos. Enterrá-los no chão e aguardar os brotos não é a saída, independente de onde estivermos e de quem quer que sejamos.
Concordo com aquela corrente de pensadores que defende a idéia de que a natureza do homem é boa, que se corrompe no mundo, devido às diversas frustrações e adversidades as quais são submetidos. E quanto mais caótica e confusa for a atmosfera que circunda a sociedade, mais distantes estaremos da nossa natureza e, consequentemente, de nos descobrirmos como seres em estado de felicidade. Isso mesmo, estado, que quer dizer algo não permanente, transitório, intermitente. Ninguém é plenamente bom, ninguém é totalmente mau e nenhuma pessoa é completamente feliz. Não neste mundo!!!
Acredito que o fato de estar em um local específico do mundo, em busca da minha realização como pessoa, jamais terá sentido nem alcançará a plenitude esperada enquanto eu não conseguir domar meu caos interior, minhas batalhas comigo mesma. Nosso estado interno nos acompanha onde quer que estejamos, seja qual for o nosso destino. A felicidade é uma condição que não está inexoravelmente ligada à maturidade de idade embora o tempo ajude, nem tampouco à abundância de recursos financeiros e patrimoniais. Não vou ser hipócrita a ponto de dizer que dinheiro não vale nada! Mas muitas pessoas são abastadas e mesmo assim tiram suas próprias vidas, sentem-se infelizes, incompletas, não dignas de si mesmas.
No fundo, acredito que, apesar de todas as diferenças de cor, credo e nível intelectual, todos nós temos a necessidade de sermos aceitos e de nos sentirmos acolhidos e amados pelas pessoas com as quais nos relacionamos. Por isso, defendo que o tamanho da nossa felicidade não está condicionado aos objetivos traçados e delineados por nosso estágio de consciência. Está principalmente atrelado ao nível de profundidade com que interagimos com o mundo e com as pessoas. E essa felicidade se perpetua com a mesma capacidade que ampliamos o tesão pela vida e pelas coisas que realizamos a cada dia. As grandes e as pequenas. Essa é a vontade que move o mundo e faz com que o universo conspire a nosso favor. Consigo sentir-me transbordando de emoção ao admirar uma obra de arte que me toca, ao fazer parte de uma bela paisagem, ao acalentar com um forte abraço alguém que amo. Tão simples assim... Quem dera fosse.
Mas além de todas as incertezas, os únicos aspectos que podemos afirmar com segurança em relação à nossa condição de ser humano é que nascemos machos ou fêmeas e que a morte do corpo é inevitável. Diante disso, cabe a cada um de nós usarmos e abusarmos da nossa intuição para aproveitarmos nossos talentos e ampliarmos as nossas chances de barganha com a fortuna da vida. Primeiro, tendo a consciência que os possuímos. Em seguida, aprendendo a identificá-los e, por fim, descobrindo como desenvolvê-los e aprimorá-los. Sem pressa, um passo de cada vez. Sem hora nem data marcada, porque até o último suspiro ainda estaremos em profunda transformação. Com esses ajustes, não fará diferença em que parte do mundo se vive. Porque tudo o que precisarmos para sermos felizes estará dentro de nós e poderá ser acessado a qualquer tempo e em qualquer lugar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Carlos Drummond de Andrade - Pensamentos

RECOMEÇAR
Não importa onde você parou …
em que momento da vida você cansou…
o que importa é que sempre é possível e necessário “Recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo…
é renovar as esperanças na vida e o mais importante…
acreditar em você de novo…
Sofreu muito nesse período? Foi aprendizado.
Chorou muito? Foi limpeza da alma.
Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoá-las um dia.

Tem tanta gente esperando apenas um sorriso seu para “chegar” perto de você.
Recomeçar…
hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar?
Ir alto… sonhe alto…
queira o melhor do melhor…
pensando assim trazemos pra nós aquilo que desejamos…
Se pensarmos pequeno coisas pequenas teremos ….
Já se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor, o melhor vai se instalar em nossa vida.
“Porque sou do tamanho daquilo que vejo, e não do tamanho da minha altura.”

NÃO DEIXE O AMOR PASSAR
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento,houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente: O Amor.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: O AMOR.

AS SEM-RAZÕES DO AMOR
Eu te amo porque te amo, não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça e com amor não se paga.
Amor é dado de graça, é semeado no vento, na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca, não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada, feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte, e da morte vencedor, por mais que o matem (e matam) a cada instante de amor.

INCONFESSO DESEJO
Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo

PRECISA-SE DE UM AMIGO
Não precisa ser homem, basta ser humano, ter sentimentos.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem imprescindível, que seja de segunda mão.
Não é preciso que seja puro, ou todo impuro, mas não deve ser vulgar.
Pode já ter sido enganado ( todos os amigos são enganados).
Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários.
Deve gostar de crianças e lastimar aquelas que não puderam nascer.
Deve amar o próximo e respeitar a dor que todos levam consigo.
Tem que gostar de poesia, dos pássaros, do por do sol e do canto dos ventos.
E seu principal objetivo de ser o de ser amigo.
Precisa-se de um amigo que faça a vida valer a pena, não porque a vida é bela, mas por já se ter um amigo.
Precisa-se de um amigo que nos bata no ombro, sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo.
Precisa-se de um amigo para ter-se a consciência de que ainda se vive.

“A cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”.

“Falar é completamente fácil, quando se têm palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá”.

“Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados. Difícil é sentir a energia que é transmitida. Aquela que toma conta do corpo, como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa”.
“As coisas que amamos, as pessoas que amamos são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável no limite de nosso poder de respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca, dar-lhes moldura de granito.
De outra maneira se tornam absoluta numa outra (maior) realidade”.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Eu Levo Seu Coração Comigo (por E.E. Commungs)

















Eu levo seu coração comigo
(eu o levo no meu coração)
Eu nunca estou sem ele
(onde quer que eu vá você irá, minha querida;
e o que é feito só por mim é seu feito, minha amada)
Não temo o destino
(pois você é meu destino, meu encanto)
Não quero o mundo
(pela beleza de você ser meu mundo, minha verdade)
E você é tudo o que a lua sempre representou
E tudo que um sol irá louvar será você
Eis o maior segredo que ninguém conhece
(eis a raiz da raiz e o broto do broto
e o céu do céu de uma árvore chamada vida;
que cresce além do que a alma sonharia ou a mente poderia esconder)
E este é o milagre que mantém as estrelas afastadas
Eu levo seu coração (eu o levo no meu coração)

Pequenos Gestos (autor desconhecido)

É curioso observar como a vida nos oferece resposta aos mais variados questionamentos do cotidiano...
Vejamos:
A mais longa caminhada só é possível passo a passo...
O mais belo livro do mundo foi escrito letra por letra...
Os milênios se sucedem, segundo a segundo...
As mais violentas cachoeiras se formam de pequenas fontes...
A imponência do pinheiro e a beleza do Ipê começaram ambas na simplicidade das sementes...
Não fosse a gota e não haveria chuvas...
O mais singelo ninho se fez de pequenos gravetos e a mais bela construção não se teria efetuado senão a partir do primeiro tijolo...
As imensas dunas se compõem de minúsculos grãos de areia...
Como já refere o adágio popular, nos menores frascos se guardam as melhores fragrâncias...
É quase incrível imaginar que apenas sete notas musicais tenham dado vida à "Ave Maria", de Bach, e à "Aleluia", de Hendel...
O brilhantismo de Einstein e a ternura de Tereza de Calcutá tiveram que estagiar no período fetal e nem mesmo Jesus, expressão maior de Amor, dispensou a fragilidade do berço...
... Assim também o mundo de paz, de harmonia e de amor com que tanto sonhamos só será construído a partir de pequenos gestos de compreensão, solidariedade, respeito, ternura, fraternidade, benevolência, indulgência e perdão, dia a dia...
Ninguém pode mudar o mundo, mas podemos mudar uma pequena parcela dele: esta parcela que chamamos de "Eu".
Não é fácil nem rápido...
Mas vale a pena tentar!

Tema de destaque 10 - O Meu Encontro

Sabe aqueles momentos da vida em que tudo está aparentemente redondo e paira sobre nossas cabeças uma calmaria aparente, remetendo à sensação do conforto do descanso eterno??? Quando se sentir assim, corra, o mais rápido que conseguir. Ou não. Pare e espere calmamente o inevitável... Algumas pessoas diriam: relaxa e goza. Provavelmente, é em tempos como esse que estamos prestes a vivenciar um ponto de inflexão na curva do crescimento transcendente. Mudará de uma tendência linear, com discreta inclinação, para a dispersão de vários pontos aglutinados em torno de uma forma indefinida, seguindo um comportamento exponencial. Seria tão fácil se a linguagem do comportamento humano pudesse ser simplificada ao nível da simbologia matemática.

Diria que as aparências sempre enganam, mas como toda unanimidade é burra e imperfeita, vamos arredondar para 99,9%. Enquanto tudo estava estabilizado por fora, um vulcão, silenciosamente entrava em erupção. As bases tremiam, o chão se dissipava em uma fenda abissal, enquanto a larva quente espirrava para todas as direções. Foi uma verdadeira explosão que trouxe consigo um desconforto imediato pela perda do pseudo controle da situação. De repente, o mundo girava ao contrário, as palavras perdiam o significado e todo aprendizado acumulado não dava conta de decifrar os fatos. Tudo tão previsível, mas tão evitado... Probabilidade de ocorrência do evento igual a 100%; risco de ser evitado, aproximadamente zero; formas de manifestação, infinitas.

Quando toda energia aprisionada consegue extrapolar a superfície que intercepta o dentro e o fora, gradativamente, a atividade de extravasar vai-se aquietando. As primeiras respostas ao acontecido tomam a forma de um nome de anjo. Um pouco estranho e paradoxal, mas a dualidade é a verdadeira expressão do ser humano: a persona versus a sombra. Uma não existe sem a outra. Ninguém está completamente certo e, ao mesmo tempo, estamos todos errados. Forjamos personalidades dóceis, que recitam trovas amáveis. O politicamente correto é almejado como propaganda oficial do ser supostamente maravilhoso que se esconde de si mesmo. “Não roubarás; não matarás, não cobiçarás a mulher do próximo”... a cartilha do ser virtuoso já está pronta. Mas e a sombra, para onde ela foi?

Segundo as leis da física, na natureza, nada se perde tudo se transforma. Portanto, toda a energia reprimida e desviada de sua função, um dia busca seu lugar ao sol. E quanto mais tempo demoramos a tomar consciência da nossa totalidade, maior será a força da explosão. A meu ver, esse ser milimetricamente calculado para ser aceito e bem-vindo aos olhos de todos, assemelha-se a um protótipo virtual, construído e arquitetado segundo os preceitos tacitamente balizados pela sociedade. É alguém concebido de fora para dentro e, por isso, não tem a conexão visceral. Por essa razão, sofre de uma esquizofrenia situacional, uma perda momentânea de rumo que pode ser quase permanente. Nesses casos de profunda desconecção da integralidade é inexorável a ocorrência de um choque avassalador, com repercussão de alto impacto para que a crosta externa, já solidificada, seja rompida e ceda espaço ao sentimento verdadeiro.

Talvez, algo que nos remeta à nossa origem mais primitiva seja o mesmo artifício que nos conduza à auto-reconstrução, à aceitação da realidade de fato. O encontro perfeito entre corpos, quem sabe. Dois corações batendo juntos, em ritmo acelerado, no mesmo compasso desesperado, em um instante preciso de confluência total. Naquele exato momento, dois seres sem face e transbordando de alma ao se entregarem por inteiro, deixam de ser corpos vazios e experimentam que juntos podem alcançar as estrelas. Eis então uma forma de instigar o autoconhecimento. Para alguns pode ser um caminho traumático que dá a sensação de espetar como espinhos, mas com certeza será infalível se vivenciada em sua completude.

O outro, quando posto estrategicamente à nossa frente, sob as condições ideais de temperatura pressão e umidade, assume o papel de um espelho que reflete o nosso avesso em carne viva. O reflexo dessa imagem traduz algo além de um autoretrato às avessas. Permite aos olhos a visão do vivo que não tem forma; ao corpo, experimentar a essência daquilo que não se toca; ao coração, aponta o sentido do começo do resto de nossas vidas.

Clarice Lispector - Pensamentos

ISSO É MUITA SABEDORIA

“Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram. Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés. Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho... o de mais nada fazer.”

HÁ MOMENTOS
Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado.
A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre.
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
Passei a vida tentando corrigir os erros que cometi na minha ânsia de acertar.
É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo.

Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.

Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

...Existe um ser que mora dentro de mim como se fosse a casa dele, e é. trata-se de um cavalo preto e lustoso que apesar de inteiramente selvagem – pois nunca morou antes em ninguém nem jamais lhe puseram rédeas nem sela – apesar de inteiramente selvagem tem por isso mesmo uma doçura primeira de quem não tem medo: come às vezes na minha mão. Seu focinho é úmido e fresco. eu beijo o seu focinho. quando eu morrer, o cavalo preto ficará sem casa e vai sofrer muito. a menos que ele escolha outra casa e que esta outra casa não tenha medo daquilo que é ao mesmo tempo selvagem e suave. aviso que ele não tem nome: basta chamá-lo e se acerta com seu nome. ou não se acerta, mas, uma vez chamado com doçura e autoridade, ele vai. se ele fareja e sente um corpo-casa é livre, ele trota sem ruídos e ai. aviso também que não se deve temer seu relinchar: a gente se engana e pensa que é a gente mesma que está relinchando de prazer ou de cólera, a gente se assusta com o excesso de doçura do que é isto pela primeira vez.

Só o que está morto não muda! Repito por pura alegria de viver: A salvação é pelo risco, Sem o qual a vida não vale a pena!!!"

Viver em sociedade é um desafio porque às vezes ficamos presos a determinadas normas que nos obrigam a seguir regras limitadoras do nosso ser ou do nosso não-ser... Quero dizer com isso que nós temos, no mínimo, duas personalidades: a objetiva, que todos ao nosso redor conhece; e a subjetiva... Em alguns momentos, esta se mostra tão misteriosa que se perguntarmos - Quem somos? Não saberemos dizer ao certo!!! Agora de uma coisa eu tenho certeza: sempre devemos ser autênticos, as pessoas precisam nos aceitar pelo que somos e não pelo que parecemos ser... Aqui reside o eterno conflito da aparência x essência. E você... O que pensa disso?

À duração da minha existência dou uma significação oculta que me ultrapassa. Sou um ser concomitante: reúno em mim o tempo passado, o presente e o futuro, o tempo que lateja no tique-taque dos relógios.

RIFA-SE UM CORAÇÃO
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração que acha que Tim Maia estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero, é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional que abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: "O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que insiste em não endurecer e, se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que, mesmo estando fora do mercado, faz questão de não se modernizar, mas vez por outra, constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta.

Bob Marley - Pensamento

"Os ventos que às vezes tiram algo que amamos são os mesmos que trazem algo que aprendemos a amar... Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado e sim, aprender a amar o que nos foi dado. Pois tudo aquilo que é realmente nosso, nunca se vai para sempre"...


Bob Marley