"Renda-se, como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

(Clarice Lispector)

O Beijo

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Gustav Klimt (1907)
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Rima em si (por Andréa Naritza)

Fale simples, fale manso, fale aqui...

Chegue junto, fique perto, saia de si...

Solte o corpo, abra a mente e diga sim.

Não se mexa e venha logo, chegue pra mim.

O que queres, te ofereço sem pedir.

Nunca temas, nem se esqueça sou de ti.

Não importa se a vida te soprou daqui.

Em meus sonhos e pensamentos somos assim.

Sobre a Inteligência (por Andréa Naritza)

Inteligência e praticidade andam juntas.


São primas irmãs que nos ajudam a estabelecer um relacionamento menos complicado com a vida e com as pessoas.

Inteligente é o ser que sabe evidenciar suas potencialidades e conviver pacificamente com seus desvios indomáveis.

Os práticos vão ainda além; percebem a tempo a hora exata de serem inteligentes.

Sobre a Verdade (por Andréa Naritza)

Vivemos no tempo da bandeira da verdade a todo custo.

É mais um dos anseios do mundo politicamente correto, onde o comportamento humano segue o recorte dos mais belos, dos mais lindos e dos mais virtuosos.

Esse é o contexto geral, mas até que ponto as verdades arremessadas de qualquer forma e com o sabor amargo das frustrações podem fazer brotar algo saudável e construtivo?

O que se ganha de fato quando se faz questão de escutar nos mínimos detalhes a meias verdades já conhecidas implicitamente?

Cada qual escolhe que rumo seguir e que postura adotar. Eu já escolhi a minha.

Deixo claro que levarei comigo para o túmulo algumas verdades que precisam ser apenas minhas e que não faço questão de conhecer tudo que as pessoas creem ao meu respeito.

Prefiro contar com a indulgência alheia ao me afogar nas certezas que não me acrescentam mais nada, ou com os detalhes que já não se enquadram ao contexto.

Prefiro seguir adiante comigo e com todo o entendimento que fui capaz de construir a partir dos diálogos com a minha consciência.

Sobre a Liberdade (por Andréa Naritza)

O tamanho da liberdade conquistada por cada indivíduo é proporcional ao seu nível de conhecimento acerca do mundo em que está inserido e depende de quanto ele domina de si mesmo.

Ser livre é situar-se à margem de conceitos massificados, voltando-se ao reconhecimento da individualidade no seu sentido mais concreto.

Todo aquele que decide seguir livre requer experimentar a vida pela boca, pela pele, pelas veias...

Precisa ficar impregnado com o cheiro da vida e sentir o gozo despudorado.

Talvez, só assim, consiga descobrir como fazer escolhas próprias seguindo a voz que grita a alma.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Tema de destaque 30 - Mãe de dois

Ao final do dia, dei-me conta de que nas últimas 24 horas fui tudo, menos eu mesma. Desde quando minha filha nasceu, há 4 meses, que vivencio o papel de mãe “full time”. A diferença é que agora já sou mãe de dois que disputam minha atenção juntamente com as minhas necessidades mais básicas, como comer, tomar banho e ir ao banheiro. E também com as mais complicadas: trabalho, casa e casamento.

Quando estava grávida, só pensava no lado poético e nada prático dessa concretização. Sonhava em conhecer aquele serzinho que me habitava e sugava as minhas energias por dentro para se transmutar na criatura mais bela e desejada. Tinha a imagem daquela família feliz, reunida ao redor de uma mesa grande e farta.

A diferença é que agora, sinto-me sugada por dentro e por fora... Dei-me conta disso quando, por acaso, fixei meu olhar em uma foto de dois anos atrás. Quanta diferença nas feições cansadas, na disposição, no olhar afoito e desafiador... Junto com aquele sorriso enérgico e faceiro do retrato podia sentir toda a emoção que vivia à época em que mergulhei em grandes conquistas pessoais. Como é complicado querer ser tudo ao mesmo tempo!

Ser mãe sempre foi um dos meus grandes sonhos. Parecia que a minha condição de mulher apenas estaria consolidada quando sentisse o meu filho ser amamentado pela primeira vez. Depois de um tempo investindo intensamente na realização acadêmica e profissional, chegara o momento perfeito para consumar o fato. Tudo estava pronto, mas nada estaria completo sem a chegada dos rebentos.

O dia já começa na madrugada com as sucessivas mamadas. Vez por outra, vou acudir o mais velho de quatro anos do medo do escuro ou quando faz xixi na cama. Volto a deitar e Já estou quase dormindo quando sou solicitada para outra mamada... O dia está amanhecendo e outra mamada... O sol está se pondo e outra mamada... Coloco as crianças na cama e depois, outra mamada... Passam horas; passam dias; passam meses... E outra mamada...

Olhando assim parece um pesadelo. Mas no fundo é só o desabafo de uma mãe circunstancialmente esgotada e sem forças. É o retrato caricato pintado por uma mulher que escolheu, por livre e espontânea vontade, responsabilizar-se pelos cuidados com seu bebê. A reflexão de alguém que escolheu doar-se completamente para vivenciar o milagre de ver seus filhos desabrocharem no primeiro ano de vida e se desenvolverem plenamente para todo o sempre.

Começo a pensar nos bons momentos que tenho com eles e lentamente vou lembrando que quem eu sou sempre esteve aqui comigo. Apenas me dou conta de que, momentaneamente, tirei o meu eu do foco e saí de cena para dar a vez a essas pessoinhas que enchem uma casa e uma vida inteira. Olho para eles dormindo e me emociono com cada feito do dia. As descobertas, as brincadeiras, a intimidade feita com o coração. Acordo pensando em dormir novamente e durmo sonhando acordada que estou traçando um caminho para fazê-los felizes.

E isto, esses cinco minutos antes de dormir, alimentam a minha alma e me fortalecem para começar tudo novamente na madrugada seguinte, com a mesma dedicação, com o mesmo amor, com a mesma vontade de acertar e fazer o melhor que posso. E quando a pergunta ecoa lá longe da minha mente, respondo a mim mesma que sou um ser em construção em busca de sua completude, juntando todos os pedaços, inclusive as migalhas de um dia mal vivido.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Final de Ano

Estava pensando a respeito da vida e sobre a nossa reflexão anual sobre o que fomos e sobre o que queremos ser. É o otimismo e a esperança de sermos pessoas melhores que nos inspiram e nos impelem a cultivar a vontade de se superar e ser alguém melhor do que antes. Então, pensei nas pessoas de que gosto, nos familiares, nos amigos, nos agregados... Pensei ainda no que diria neste momento para fortalecer a crença de que o amanhã sempre poderá ser um dia muito feliz.

Não há receitas, mas começar se esforçando para não perder as oportunidades de fazer o bem é um bom começo. E mesmo que não consiga aproveitar todas elas, não se preocupe, a intenção é o que importa de verdade.

Trabalhe muito. Dedique-se para fazer o melhor que pode. Esteja sempre aberto para aprender com as novidades e com o empirismo das pessoas mais experientes.

Ame profundamente. Aprenda a reconhecer os sinais de estar perto de alguém especial e descubra o que é preciso ser feito para compartilhar sua vida com um companheiro. O amor apenas se concretiza quando alcança o outro.

Tenha um filho ou eleja alguém para esse papel. Seja um porto seguro para todas as idas e vindas de um amor incondicional.

Perdoe e seja condescendente. Mesmo que esteja ferido e triste, o perdão liberta e dá a chance de um recomeço. Ser condescendente nos lembra que também precisamos pedir perdão pelos nossos erros.

Dedique-se a outras pessoas. Ajudar os outros a realizarem seus sonhos torna a convivência neste mundo mais leve e terna.

Sorria e seja gentil. Gentileza gera gentileza.

E agradeça sempre. Agradeça à vida por todas as chances que teve, pelas pessoas que passaram pelo seu caminho, pelas experiências e principalmente por ser você.

Não se preocupe se um ano é pouco para tantos afazeres. Temos a vida toda pela frente. O que importa é a transformação diária de conta-gotas, em doses homeopáticas...

Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de esperanças e conquistas.

Andréa Naritza.

Estou de Volta

Depois de tanto tempo consegui voltar a escrever.
Minha filha já nasceu e às vezes me permite ter momentos só meus.
Pensei que este dia não chegaria nunca. Exageros do sexo feminino!!!
Vou começar postando um mensagem de final de ano.